A primeira versão desta secção de Saúde do Viajante foi escrita na preparação da minha viagem à Colômbia, em Setembro de 2015. Toda a informação foi actualizada em Agosto de 2016, com a ajuda do Dr. Diogo Medina. Em Junho de 2018 a informação foi novamente revista e actualizada.

CONSULTA DO VIAJANTE

Inquestionavelmente, todos aqueles que viajam para fora do país, especialmente se o fizerem para destinos com climas diferentes do nosso ou tem um sistema imunitário mais susceptível, devem fazer a consulta do viajante. Faz-me sempre confusão aquelas pessoas que defendem que a consulta “não é precisa” porque “é cara”. A minha saúde e bem-estar não tem preço, e quero continuar saudável e apta a viajar, durante muitos e bons anos.

Onde?

No caso de preferirem as consultas presenciais, devem averiguar qual o centro onde podem realizar a consulta consultando o Portal da Saúde. No meu caso, que sou residente no concelho de Sintra, as consultas do viajante são às 4ª feiras, no Centro de Saúde da Damaia (marcações – 214 906 230 ou vacint12@arslvt.min-saude.pt). Aqui a consulta do viajante custa 5€, e as vacinas disponíveis no Centro de Saúde custam 20€ cada. Há depois outras medicações que não estão disponíveis no Centro, e que devem ser aviadas numa farmácia.

Para quem (como eu) tiver alguma dificuldade na gestão de horários e / ou indisponibilidade geográfica, o ideal é fazer a Consulta do Viajante em Telemedicina (insiram o código “GOWITHTANIA” para reduzirem o valor da consulta).

Quando?

A consulta do viajante deve ser feita de preferência entre 4 a 6 semanas antes da partida, mas pode ser útil mesmo até uma semana antes da viagem. Ao contrário do que se possa pensar, a consulta não serve só para medicação de prevenção, mas também para informar sobre riscos no destino, avaliar o comportamento individual / segurança durante a viagem, e também para programar adequadamente a quimioprofilaxia antipalúdica ou antimalárica. E acreditem que o nosso comportamento e hábitos em viagem, quando bem feitos, são meio caminho andado para uma viagem sã e tranquila!

Consulta do Viajante em Telemedicina é uma consulta médica privada de forma económica, sem deslocações ou constrangimentos, através de videoconferência com o médico. É possível de fazer onde quer que eu esteja, desde que tenha acesso à internet e um aparelho que para além do écran, possua camera frontal, e se possível, um auricular com microfone (a maioria dos smartphones, tablets ou computadores pessoais possuem estas características, e hoje em dia o wifi abunda, felizmente!). E acessível quer esteja em viagem, quer esteja no sofá de minha casa! Querem melhor? Em baixo podem ver o video que demonstra como foi uma das minhas consultas online, com o Dr. Diogo Medina.

PREÇO ESPECIAL PARA VOCÊS!

O Dr. Diogo Medina ainda teve a amabilidade de me ajudar a corrigir as informações neste artigo (obrigada!), ajudando-nos assim nas dúvidas relativamente à saúde em viagem.

Além disso, ainda brinda os seguidores do blog com uma redução de 20% no preço da consulta – basta apenas colocar o código “GOWITHTANIA” no campo de entidade parceira, e o valor será actualizado.

Para além das vacinas, são normalmente prescritas diferentes medicações, como por exemplo, para prevenção da malária. Este tipo de tratamento pode ser caro: o Malarone por exemplo, custa cerca de 34€ cada embalagem (12 comprimidos). Por vezes, em vez da prevenção pode ser recomendado o tratamento (delay), sendo a prevenção feita pelos habituais repelentes (que se recomenda que sejam com 20% a 50% DEET).

Convém ter sempre uma farmácia do viajante adequada, com medicação para diarreia, vómitos e analgésicos ou anti-inflamatórios. A diarreia é dos males mais comuns dos viajantes, e comprimidos para ajudar neste mal é recomendado para qualquer viagem! A diarreia é comum, mas raramente necessita de atenção médica.

Ah! e não esquecer… a vossa medicação habitual, caso a tenham! A mim já me aconteceu esquecer da minha medicação para o hipotiróidismo, e não foi fácil desenrascar-me. Se tomarem medicação habitual, tentem levar suficiente para o vosso tempo ausentes, ou pesquisem bem onde a podem encontrar, e sob que nomes (há medicação que muda de nome conforme o país, apesar dos ingredientes activos serem, por vezes, os mesmos). Levem também um papelinho do vosso médico de familia, em inglês, a explicar que tomam aquela medicação e o porquê.

FARMÁCIA DO VIAJANTE

  • Repelente de Insectos com 20% a 50% DEET
  • Soro Fisiológico
  • Descongestionante nasal
  • Medicamentos para o tratamento da diarreia
  • Analgésicos e antipiréticos
  • Anti-histamínicos
  • Protector solar com factor de protecção superior a 30
  • Material para um penso simples (desinfectante, pensos rápidos)
  • Termómetro
  • Medicação Crónica
  • Preservativos

CUIDADOS ALIMENTARES

  • beber apenas água engarrafada ou previamente fervida (1 minuto). Também se pode tratar água para consumo com lixivia pura: 2 gotas para 1l de água, deixar repousar 30 minutos antes de beber. Fácil de preparar de manhã para ter água para beber o dia todo, nos sitios de maior dificuldade;
  • beber chá, café ou bebidas engarrafadas;
  • comer a fruta descascada, depois de lavar a fruta e as mãos com água potável;
  • nunca colocar gelo nas bebidas;
  • não comer saladas nem ovos crus;
  • não consumir leite nem derivados não-pasteurizados;
  • não comer gelados, molhos, maioneses nem mousses não embaladados ou de confecção caseira;
  • cozinhar bem os alimentos, e consumi-los quentes;
  • lavar os dentes com água engarrafada ou previamente fervida;
  • lavar as mãos frequentemente… em água potável!

VACINAS E PROFILÁXIA

FEBRE AMARELA

Antigamente dizia-se para vacinar a cada 10 anos, mas estudos científicos indicam que a proteção pode ser vitalícia, logo a realização de reforços é dispensável;
– a febre amarela é uma infecção causada por vírus, transmitida pela picada de um mosquito;
– a OMS recomenda a vacinação a todos os que viajem para os países afetados da América do Sul e a África Subsaariana (cliquem para saberem quais), por esta ter uma taxa de protecção muito próxima dos 100%;
– sintomas: febre, dores musculares, dores de cabeça, arrepios, anorexia, náuseas. Em 15% dos casos desenvolve para hemorragias. Metade dos doentes morre 10 a 14 dias após infecção. Uma vacina pode prevenir isto!

FEBRE TIFÓIDE

– vacinar a cada 3 anos;
– a febre tifóide é uma infecção causada por uma bactéria;
– transmite-se pelo consumo de água e/ou alimentos contaminados
– sintomas: febre, dores de cabeça, mal-estar, anorexia, insónias

POLIOMIELITE

3 a 4 doses, iniciada no mínimo 4 semanas antes da partida, com um reforço único após 10 anos ou durante a vida adulta;
– a poliomielite tem vindo a ser gradualmente eliminada em todo o mundo e já só existe no Afeganistão e no Paquistão, embora haja surtos ocasionais em países que ainda a utilizam versão oral e mais antiga da vacina, como por exemplo Madagáscar;
– a vacina da poliomielite faz parte do programa nacional de vacinação em Portugal desde 1965, pelo que todos os que tiverem nascido depois desse ano já só necessitam realizar a dose de reforço da vida adulta;

HEPATITE A

Toma única até 2 semanas antes da partida, com reforço 6 a 18 meses após a primeira toma;
– a Hepatite A é uma doença causada pelo vírus da Hepatite A (VHA);
– transmite-se pelo consumo de água e/ou alimentos contaminados;
– sintomas: febre, coloração amarela da pele e dos olhos, danos no cérebro e/ou fígado.
– estudos realizados em Portugal demonstram que mais de 85% das pessoas com mais de 50 anos já são naturalmente imunes à doença, pelo que são sobretudo os menores de 50 anos que beneficiam da vacina;
– sem caso de dúvidas, podem pedir ao médico de família para fazer análises e determinar se são ou não imunes para a Hepatite A;

ENCEFALITE JAPONESA

Recomendada em viagens ao Sudeste Asiático entre Maio e Dezembro, sobretudo em quem permaneça durante longos períodos em zonas de arrozais ou tenha uma exposição prolongada ao ar livre
– a vacina é dada numa série de 2 doses, iniciada no mínimo 2 semanas antes da partida, sendo as doses separadas por 7 ou por 28 dias (respetivamente esquema rápido ou esquema normal). Pode ser dado um reforço único após 1 a 2 anos, em cenários de risco mantido;
– é uma doença causada pelo vírus da Encefalite Japonesa;
– transmite-seatravés da picada de mosquitos infetados do género Culex;
– sintomas: meningite ou encefalite, com sintomas de febre, dores de cabeça e rigidez da nuca.

A IMPORTÂNCIA DO SEGURO DE VIAGEM

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